O Estado do Rio de Janeiro passa por uma das maiores epidemias de dengue. Nos primeiros 21 dias de 2009 foram notificados 157 casos da doença. Em 2008, mais de 259 mil pessoas foram infectadas, das quais 133.888 só na capital fluminense. Em São Paulo, houve 2596 casos em 2007 e 460 em 2008, segundo dados da Coordenação de Vigilância Sanitária (Covisa), da Secretaria Municipal de Saúde da cidade de São Paulo.
Frente aos dados alarmantes, o Ministério da Saúde e todas as Secretarias de Saúde estaduais e municipais intensificaram as campanhas de combate ao mosquito, já que a participação dos cidadãos é importante arma no controle da doença. O verão é período de maior concentração dos casos de dengue. Pudera: as chuvas são mais frequentes e a água acumulada propicia ambiente ideal para a proliferação do mosquito Aedis aegypti, causador da doença.
Informações veiculadas na mídia e campanhas como o Programa Nacional de Controle da Dengue, do Ministério da Saúde, servem para alertar a população que, apesar das altas chances de cura, a dengue pode matar e a forma mais eficaz de prevenção é não deixar o mosquito transmissor se reproduzir.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a dengue como um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A estimativa é de 50 a 100 milhões de casos a cada ano em mais de 100 países. No Brasil as condições climáticas e sócio-ambientais favorecem a procriação do Aedis aegypti, o mosquito transmissor da dengue.
As regiões mais propícias para o desenvolvimento do mosquito são as cidades litorâneas e os bairros localizados perto de rios. Mas, como para que o mosquito se reproduza basta água parada e limpa, vale verificar, em casa, como estão os vasos de flores, evitar as plantas aquáticas e os objetos de decoração que levam água.
"A dengue é uma doença de difícil diagnóstico, pois seus sintomas são muito parecidos com os da gripe ou outras viroses e até algumas infecções bacterianas, como a febre tifóide", explica David Salomão Lewi, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Para diferenciá-las é importante estar atento e saber se o paciente esteve em áreas consideradas endêmicas, destacando-se as zonas litorâneas.
Prevenir é o segredo
Batizado de "mosquito limpo", o agente transmissor se reproduz em águas limpas e paradas. Para evitar a procriação é preciso adotar medidas simples, que merecem atenção especial no verão, quando as chuvas acontecem com mais freqüência:
- 1. Mantenha os pratos dos vasos sempre secos. Uma dica: colocar um pouco de areia, assim não haverá risco de água parada.
- 2. As garrafas vazias devem estar sempre de cabeça para baixo. O ideal é guardá-las em lugar coberto, evitando que se encham com a água da chuva.
- 3. Troque a água para consumo dos animais todos os dias. Os recipientes lavados com bucha ou escova, pelo menos uma vez por semana. Mantenha-os sempre em locais frescos.
- 4. Não guarde pneus velhos; eles podem ser reciclados e a maioria das borracharias aceita doações.
- 5. Tampe poços, tambores e outros depósitos de água.
- 6. Limpe as caixas d'água e cisternas de prédios pelo menos uma vez ao ano. Esses recipientes devem ficar tampados.
- 7. Ensaque o lixo caseiro em sacos plásticos.
- 8. Chame a limpeza urbana de sua cidade para remover lixo e entulhos, bem como para escoar água parada ou empoçada.
- 9. Em locais de sabida infestação dos mosquitos transmissores ou de suspeita, procure andar de calçados, meias e calças compridas, pois o mosquito transmissor da dengue costumar voar baixo, na altura da canela.
Em algumas cidades, a equipe da Fundação Nacional de Saúde (FNS), passa com o "fumacê" e pulveriza inseticida. Se isso acontecer perto da sua casa, abra completamente as portas e janelas, cubra os alimentos, as gaiolas, os aquários e os latões contendo água de beber.
Tipos de Dengue
Clássica
É a mais comum, contraída logo na primeira vez em que uma pessoa é picada pelo mosquito. Um dos primeiros sintomas é febre alta e dores de cabeça. A febre dura cerca de cinco dias, com melhora progressiva dos sintomas em 10 dias. Raramente há complicações.
Hemorrágica
Acomete raramente pessoas que são infectadas novamente por outro sorotipo de vírus (existem 4 sorotipos que podem causar doença no homem). Essa é uma forma grave de dengue que pode levar à morte. No início, os sintomas são iguais aos da dengue clássica, mas após alguns dias, há sangramento em vários órgãos.
Doença disfarçada
A dengue pode ser confundida com sarampo, rubéola e gripe, pois possui sintomas semelhantes. O dr. Lewi alerta que é preciso ficar atento às pequenas diferenças entre essas doenças e verificar se há informação sobre epidemias e em quais regiões. "Cruzando os dados é mais fácil chegar a um diagnóstico e, em caso de suspeita, o correto é sempre procurar um hospital", orienta.
Fique de olho nos sintomas da dengue e nos dados que devem ser analisados para que você consiga diferenciá-la de outras doenças:
- 1. Febre, geralmente alta - em torno de 40ºC - que dura de 4 a 7 dias
- 2. Fortes dores de cabeça e atrás dos olhos
- 3. Manchas vermelhas por todo o corpo
- 4. Indisposição e dores musculares
- 5. Náusea e vômito
Diante desses sintomas é importante se fazer as seguintes perguntas:
- 1. Estive em regiões de risco de incidência do mosquito?
- 2. Lembro-me de ter sido picado? Vale dizer que a picada não provoca coceira.
Tratamento
Segundo o infectologista, o tratamento da dengue serve para aliviar os sintomas. Não há nenhum medicamento que elimine ou combata diretamente o vírus. "Remédios à base de ácido acetilsalisílico - como Aspirina - e outros antiinflamatórios, não devem ser utilizados no tratamento", alerta. Isso porque a dengue causa alterações no sangue e o uso desses tipos de medicamentos podem levar a manifestações hemorrágicas nos pacientes.